História da entidade

O Sintshogastro- SCR foi fundado em junho de 1984, por Manuel Simões Pires. É ele quem conta a história da entidade.

“Não foi fácil, porém buscamos força para lutar e conseguimos fundar o Sintshogastro-SCR”, lembra “Sr. Manuel”, que ainda preside a entidade.

O sindicalista chegou em São Carlos em janeiro de 1976, vindo de São Paulo. Ele era funcionário do SENAC.

“Desde que cheguei da minha Terra (Portugal), cidade de Travasso Águeda, trabalhei no setor hoteleiro, ou seja, sempre fui guerreiro com espirito de luta. Encontrei no sindicalismo uma forma de conquistar mudanças e melhoria para os meus colegas de trabalho”, lembra o fundador.

Muitas vezes Sr. Manuel diz que foi prejudicado, até mesmo pelos seus patrícios que além de não registrá-lo impunha uma  jornada de trabalho intensa. Diante disso, ele buscava conhecer seus diretos, orientar os colegas de trabalho e estar sempre perto de um sindicato. 

Somente no Senac, Sr. Manuel trabalhou 16 anos. Nesse período, diversas vezes, ele tentou fundar a Associação dos Empregados Hoteleiros, mas sempre encontrava a resistência de alguém. Com o apoio da companheira Lourdes dos Santos, eles realizavam reuniões, onde eram convidados profissionais do setor hoteleiro com o objetivo de fundar uma associação, porém nunca se chegava a um consenso.

“Sempre ficava para a próxima. Determinado dia, em uma festa de confraternização no recinto do Restaurante Escola - Senac, no tempo que a Rádio Progresso promovia os Melhores do Ano do Esporte do Estado de São Paulo - SP, e na presença de diversas autoridades estava aquele que se dizia o padrinho, Patrono dos Garçons, o vereador Antonio Carlos Catarinol. Em certo momento do evento, trocamos algumas ofensas e até divergências. Foi ali que semeamos a ideia de criação da Associação e onde nasceria a Entidade Representativa dos Empregados Hoteleiro de São Carlos, fazendo a história da categoria hoteleira",  conta Sr. Manuel.

Conforme ele, tudo isso contribuiu para que, depois de alguns meses, ele e outros companheiros do ramo hoteleiro, recebessem em suas casas um convite especial para comparecer à Câmara Municipal de São Carlos. Para ele e outros colegas o convite foi uma surpresa. Foram até o local, no dia e hora marcada.

“Aquilo estava sendo diferente, pois ninguém sabia o que iria acontecer e nem do que se tratava. Chegou o dia e a hora, e fomos à Câmara. A casa estava cheia, muitas autoridades. Depois de esperar algum tempo e cheio de ansiedade, o vereador Catarino da cabine da Tribuna falou aos presentes sobre o teor da nossa conversa ocorrida no dia da festa no Senac, onde estavam presentes mais ou menos 100 pessoas. Ele disse tinha que ser criado naquele momento a Associação dos Profissionais da Categoria Hoteleira, era o nosso compromisso e o motivo do convite. Para minha surpresa e acho que de todos presentes, eu, Manuel Simões Pires, fui escolhido pela maioria como fundador e presidente da Associação. Eu acho que fui escolhido até pelo trabalho desenvolvido no próprio Senac, tanto profissionalmente como humanamente, pois eu era de São Carlos e tinha profissionais à altura do acontecido”, relembrou.

Foi montada a primeira Diretoria. Alugamos a primeira sala onde feita uma benção e até um coquetel para os presentes.

“Assim começou o trabalho que não parou até os dias de hoje. Trabalho árduo e mal compreendido por muitos”, afirma.

Depois disso foram feitas excursões para diversos locais, por intermédio da Coca-Cola-Kaiser na pessoa do Sr. João Carlos. A primeira, foi para Ribeirão Preto. Também foram feitos eventos locais com apoio da Coca-Cola Kaiser, inclusive um Garçom Cross, realizado no Estádio do Luizão, com direito a volta olímpica, no intervalo de uma partida de futebol e transmissão pelo companheiro Cardoso Natal. Foram feitos outros eventos promovidos pela Coca-Cola-Kaiser, no Senac, com homenagem a diversos companheiros da categoria e depois um bom coquetel.

Conforme Sr. Manuel, em seguida foi só arregaçar as mangas e trabalhar. Os anos se passaram e chegaram os anos de 1989 e 1990. Foi quando o subdelegado do Trabalho de São Carlos (Sr.Rodrigues) localizou Sr. Manuel e disse que gostaria de lhe falar.

“Fui ao encontro dele. Ele me disse que estava na hora de fundar o sindicato da categoria na cidade. Dorothea Werneck  era a ministra do Trabalho, na época. Eu respondi ao delegado que não queria fundar o sindicato, porque alguns da categoria não eram merecedores de tal acontecimento. Porém, ele insistiu e passado mais algum tempo voltamos a conversar sobre o assunto”, contou Sr. Manuel.

Depois disso, Sr, Manuel conta que conversou com o “saudoso companheiro Ilbes: - “Se você for o líder e ficar na frente de tudo eu vou junto” – garantiu o companheiro.

Ilbes é quem cuidada do papel, máquina de escrever e documentos da Associação. Eles firmaram um compromisso um com outro a respeito de tudo e decidiram ficar juntos.

Em seguida veio o apoio “incansável dos companheiros do Sindicato dos Comerciários de São Carlos, na pessoa do Osvaldo e do Ademir. Ai foi só fazer a papelada de acordo com a lei e enviar para Brasília. Isso aconteceu em 1990.

No dia 30 de março de 1992 o sindicato foi reconhecido pelo Ministério do Trabalho.

“Realizamos ali o sonho de uma cansada luta que a categoria tanto esperava. No fim do ano assinamos a primeira Convenção Coletiva de Trabalho. 
Na época empresa pagavam somente o salário mínimo aos trabalhadores. Eles não recebiam 13º salário e nem férias, embora constassem nos. [Se deixar até hoje acontece, pois existem patrões que não merecem o sol que nos ilumina, mas temos companheiros que nos deixam a desejar, pois, entendemos que existem direitos e deveres e obrigações para ambos os lados]”, concluí Sr. Manuel

Hoje a base territorial do sindicato é composta por: São Carlos, Brotas, Ibaté, Dourado, Ribeirão Bonito, Torrinha, Itirapina, Analândia, Corumbataí, Descalvado, Santa Rita do Passa Quatro, Santa Cruz da Conceição e Pirassununga. São aproximadamente 550 mil habitantes e mais ou menos 3000 trabalhadores na base da categoria. 

Desde sua fundação o sindicato passou por diversas experiências. Cresceu, se tornou forte e respeitado pela categoria. Porém, jamais deixou de lado sua bandeira de luta – que é o trabalho sério, feito com dignidade e respeito as empresas e aos trabalhadores.