Ao lado de Doria, Covas faz 1ª coletiva após internação e diz que vai manter ritmo de trabalho com restrição a aglomerações

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18/11/2019

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), concedeu nesta segunda-feira (18) sua primeira entrevista coletiva desde que descobriu um câncer na cárdia, região entre o esôfago e o estômago, com metástase no fígado. Ao lado do governador João Doria (PSDB), Covas disse que seguirá à frente da Prefeitura, com restrições a aglomerações e evitou falar sobre possível candidatura à reeleição em 2020.

“Não se trata de uma discussão subjetiva e sim uma questão objetiva: enquanto eu estiver dentro das minhas faculdades mentais e com disposição física, eu sou obrigado a ser prefeito da cidade de São Paulo. É uma obrigação que eu tenho com a cidade. Se eu tiver qualquer problema em relação a essas questões, eu sou obrigado a me afastar", completou.

Por recomendação médica, o prefeito deve evitar agendas externas com grande aglomeração nesta semana. “É a única restrição , porque uma gripe, de pouco impacto para vocês, pode ser um grande 'complicômetro' para mim", disse.

Apesar da restrição a lugares com grandes aglomerações, o prefeito afirmou que vai manter o ritmo de trabalho. “As inaugurações vão continuar a acontecer e, se for o caso, gravo um vídeo para ser apresentado na inauguração. A ausência do prefeito não pode impedir uma UBS de ser inaugurada”, exemplificou.

Bruno Covas evitou comentar sobre sua possível candidatura no próximo ano. “2020 eu discuto em 2020. Em 2019 ainda tem muito trabalho a ser feito.”

Já Doria foi enfático ao dizer que “não tem plano b, tem plano Bruno.” “Só tem Bruno Covas. Bruno terá saúde, condições, biografia, vontade, desejo e voto para se reeleger prefeito de São Paulo.”

O governador também comentou sobre a visita ao prefeito da deputada federal Joice Hasselmann (PSL), que já anunciou seu interesse em disputar a Prefeitura de São Paulo. O encontro deve acontecer nesta segunda-feira (18). “Eu não tive nenhuma participação neste envolvimento, mas aproveito para reafirmar minha estima pessoal pela deputada Joice Hasselmann. Ela é uma pessoa de grande valor, já era antes de de entrar na política e ser eleita e continua. Ela é minha amiga de antes, de hoje e do futuro. Quanto mais próxima ela estiver do Bruno Covas, mais feliz eu ficarei.”

Covas deve voltar a ser internado no Hospital Sírio-Libanês, na região central da capital paulista, na próxima segunda-feira (25) para começar a terceira sessão de quimioterapia. Covas teve alta médica na quinta-feira (14) após 23 dias de internação. Agora, deve voltar ao hospital na segunda, começar a quimioterapia na terça-feira (26), que se estenderá até dia 27.

Segundo Covas, duas semanas após a terceira sessão, ele faz uma bateria de exames para avaliar o quanto o câncer regrediu ou “deixou de regredir”. A partir daí, decidem a segunda etapa de tratamento.

1ª internação

O prefeito foi internado pela primeira vez no dia 23 de outubro, quando chegou ao hospital com erisipela (infecção na perna), que evoluiu para trombose venosa profunda (coágulos) na perna direita. Os coágulos subiram para o pulmão, causando o que é chamado de embolia.

Durante os exames pra localizar os coágulos, médicos detectaram um câncer na cárdia, região entre o esôfago e o estômago, com metástase no fígado. Por isso, ele já foi submetido a duas sessões de quimioterapia de 30 horas cada, a última delas acabou na tarde de quarta-feira (13).

Médicos detectaram tumor malígno no prefeito Bruno Covas — Foto: TV Globo/Reprodução

No dia 4, exames detectaram outro coágulo: no coração. Os últimos exames mostraram redução dos coágulos.

Exames realizados entre quarta (13) e esta quinta (14) mostraram que Covas já pode fazer o tratamento em casa. O prefeito retornará na próxima semana ao hospital para a terceira sessão de quimioterapia. Ele será internado novamente para o procedimento de 30 horas de tratamento.

Segundo o médico David Uip o prefeito reagiu muito bem a sessões de quimioterapia sem efeitos adversos. Uip disse que Covas está animado e bem disposto. "Bruno está tão bem que até brincou que só falta crescer cabelo", contou.

O médico, no entanto, desconversou sobre o provável estado de saúde do prefeito no primeiro semestre de 2020. "Não fazemos futurologia", afirmou.